Comportamento de uma população durante epidemias

Aplicando a teoria dos jogos a ao comportamento das pessoas durante uma epidemia, Poletti, Ajelli e Merler (2015) mostraram como isto pode afetar a disseminação de uma doença. Eles descobriram que reduzir o número de pessoas com as quais um indivíduo está em contato, mesmo que em pequena quantidade, pode fazer diferença na disseminação da doença. As pessoas são mais responsivas quando os sintomas da doença são mais evidentes.

O comportamento humano nem sempre reduz o risco de infecção, e pode ter um efeito paradoxal. No caso da vacinação, quanto mais bem sucedida for uma campanha, menos prevalente a doença se torna, diminuindo assim a percepção de risco. Isto pode levar as pessoas a deixar de vacinar-se, assumindo que o risco de infecção é muito baixo. Exemplos dessa falácia foram os vários recentes surtos de doenças já quase eliminadas pela vacinação em massa, como o surto de difteria em Espanha e os de sarampo na Europa e EUA. A melhor maneira de resolver isso, de acordo com o modelo dos autores citados, seria informar o público sobre o risco real de infecção, evitando que seja informado apenas pelo risco percebido.

Uma das outras coisas que o modelo revelou é que, quando informações precisas sobre a infecção são divulgadas rapidamente, as respostas das pessoas às informações são eficazes e podem limitar a disseminação de uma doença. Em outras palavras, quando as informações estão disponíveis e são comunicadas rapidamente, é mais provável que as pessoas ajam da maneira correta.

Portanto, se os formuladores de políticas de saúde tornarem a informação disponível o mais rápido possível através da mídia, isso resultará em uma resposta melhor e mais eficaz da população. O comportamento da população urante uma epidemia tem um grande impacto no curso desta.

Ataque Epidêmico de Febre Amarela Silvestre no Brasil

Já tínhamos previsto a recente expansão da febre amarela que agora chega ao Rio, São Paulo, Minas, etc. em nosso trabalho:

Dynamic behaviour of Sylvatic Yellow fever in Brazil, Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 2011.

Sobre as características clínicas e demográficas da febre amarela silvestre no Brasil, veja nosso artigo:

Demographic profile of sylvatic yellow fever (SYF) in Brazil from 1973 to 2008, Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, 2013.

Já suspeitávamos que as formas graves/letais de dengue (formas hepáticas, renais e neurológicas) na epidemia de 2001, poderiam ter sido febre amarela silvestre, mas na época meu laboratório não tinha provas virológicas diretas e nem meios para testar essa hipótese. Fica no ar a pergunta.

 

Peste negra avança – novembro 2017

A peste continua a avançar em Madagascar (agora 2000 infectados, 143 mortos) e já ameaça invadir a costa africana e outros países. Teme-se que uma mutação para resistência aos antibióticos usados no tratamento acelere sua expansão e multiplique a mortalidade, já muito alta. Recordemos que a modalidade de peste em curso é a pulmonar (Peste Negra), que os antibióticos não detém a tempo e é praticamente 100% letal.

É provável que outros focos de peste comecem a entrar em atividade em outras partes do mundo. Mas isso é só uma hipótese.